sexta-feira, 10 de março de 2017

3 ANO_GEOGRAFIA_GUERRA FRIA




Guerra Fria
Com a existência de um mundo descolonizado após a II Guerra Mundial, a Guerra Fria regionalizou o mundo em três mundos:
·         Primeiro Mundo: conjunto dos países capitalistas industrializados com economia mais desenvolvida.
·         Segundo Mundo: conjunto dos países socialistas com economia estatal e planificada.
·         Terceiro Mundo: conjunto dos países capitalistas economicamente menos desenvolvidos.
Fim da Segunda Guerra Mundial: EUA e URSS eram aliados na luta contra o Nazismo.
Porém essa fraternidade duraria pouco. Agora havia duas superpotências rivais, os dois países tinham:
·         A maior produção econômica;
·         A maior força militar do planeta;
·         E procuravam influenciar o resto do planeta com suas ideologias (CIA central de inteligência dos EUA versus KGB serviço secreto da URSS). Os dois países nunca se enfrentaram diretamente, mas apoiavam muitos conflitos em outras nações, como:
o    Guerra da Coreia (1950 – 1953) - Durante a Segunda Guerra, a Coreia foi ocupada por tropas soviéticas e estadunidenses, combatiam os invasores japoneses. Em 1945 EUA e URSS dividiram a Coréia em duas zonas de influência através do Paralelo 38º firmado como marco divisor na Conferência de Potsdam, com o sul ocupado pelos norte-americanos e o norte dominado pela União Soviética. Apesar de tentativas da ONU de reunificar o país por meio de eleições gerais supervisionadas, não houve êxito, pois os soviéticos alegaram manipulações eleitorais se recusando a aceitar as eleições. Em 1948, a zona soviética anuncia sua independência como República Democrática Popular da Coréia, mais conhecida como Coréia do Norte. A partir de então, a região foi dividida em dois países diferentes - o norte socialista, apoiado pelos soviéticos; e o sul, reconhecido e patrocinado pelos EUA. Em 1950, a Coreia do Norte que como tantos comunistas eram mais nacionalistas autoritários do que socialistas democráticos invadiu a Corei do Sul com o apoio de dois gigantes socialistas, a China Popular e a URSS, alegando uma suposta transgressão do Paralelo 38º. A ONU não aceita esse ataque e manda suas tropas (EUA e mais quinze países da OTAN) para expulsar os socialistas, que pretendem unificar o país sob a bandeira do Comunismo. A URSS não intervém diretamente, apenas cede auxílio militar. Chineses e estadunidenses se confrontaram fazendo com que a situação ficasse num impasse. Assim a partir do paralelo de 38 graus, em 1953 surgem dois países, dois mundos e uma única humanidade. Inicia-se o confronto entre as duas potências por um espaço de amplas vantagens comerciais e territoriais, mesmo com o risco de deflagrar uma terceira guerra mundial.
o   Vietnã (1960 – 1973) – Esse país conquistou oficialmente sua independência da França em 1945, formando dois países, o Vietnã do Sul, uma ditadura militar apoiada pelos EUA e o Vietnã do Norte, uma republica socialista. Em 1960 os vietnamitas do sul criaram uma frente com o propósito de unificar os dois países, criou-se uma guerra onde os EUA interviu, a partir daí a guerra deixou de ser vietnamita e passou a se caracterizar em uma guerra entre os EUA e o Vietnã do Norte, os quais não foram derrotados, os EUA desgastados aceitou o acordo de Paris em 1973 retirando suas tropas de combate.
o    Afeganistão (1979 – 1988) – Ao longo de sua história, esses país foi alvo de diversos conflitos que o colocaram em uma situação desoladora, devido sua localização privilegiada, entre Oriente Médio, Índia e o restante da Ásia Central. Alvo da expansão do mundo árabe, no século VII, a região se tornaria um verdadeiro caldeirão de crenças, colocando budistas, hindus e muçulmanos em um mesmo território. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo passou a se aproximar do governo soviético buscando o estabelecimento de acordos econômicos e ajuda militar. Após dez anos esse governo sofreu um golpe militar. No ano de 1973, permitiu mudanças alinhadas às diretrizes do socialismo soviético. Contudo, em 1978, um movimento golpista de cunho democrático tomou o poder. Com o novo incidente político, os soviéticos decidiram intervir na questão afegã ao exigir a deposição do novo presidente.
O governo russo decide enviar um exército bem preparado que deveria varrer todos aqueles que se opusessem ao antigo regime. Enquanto isso, os mujahedins, grupo de guerrilheiros afegãos contrários à intervenção russa – lutavam contra as tropas soviéticas. Em pouco tempo, tal resistência passou a contar com o apoio financeiro e bélico de nações como China, Estados Unidos, Irã, Paquistão e Arábia Saudita.
o    Crise dos Mísseis (1962) - Em 1961 os Estados Unidos instalaram mísseis nucleares na Turquia, a atitude desagradou os soviéticos. A existência de uma base nuclear em tal região causava preocupação aos soviéticos pela possibilidade de um ataque, através de uma posição muito privilegiada. No dia 14 de outubro de 1962, os Estados Unidos divulgaram fotos, coletadas através de um voo secreto sobre Cuba, que apresentavam instalações preparadas para abrigar mísseis nucleares soviéticos. Após um delicado período de negociações, os russos conseguiram secretamente fazer com que os Estados Unidos retirassem seus mísseis da Turquia, tendo em contrapartida a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba, levando em 1963, à assinatura de um acordo firmado entre Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha proibindo os testes nucleares. Alguns anos mais tarde, em 1968, a medida foi ampliada e 60 países o Tratado de não proliferação de armas nucleares.
o   Confronto entre Israel e os países árabes.
Os EUA liderava o bloco capitalista e a URSS liderava o bloco socialista, que agora englobava a Europa Oriental, e desde 1949 a China Popular.
Consequências geradas pela Segunda Guerra Mundial:
·         Aparecimento de novos países socialistas na Europa Oriental. Quando o exército vermelho avançou em direção a Berlim, teve que atravessar os países do Leste Europeu, expulsando os nazistas que tinham invadido esses países. Dessa forma surgiram novos países socialistas. Tchecoslováquia, Romênia, Hungria, Bulgária e Polônia, assim nesses países o socialismo não ocorreu através de uma revolução popular, mas por imposição de uma potência estrangeira. E esse socialismo imposto era o autoritário stalinismo.
·         A Iugoslávia e a Albânia também se tornaram socialistas, mas praticamente, não precisaram da ajuda soviética para expulsar os nazistas, motivo esse que fez com que tivessem relativa autonomia em relação a Moscou.
·         A Alemanha ficou dividida em duas, o Leste (Oriental) passou a se chamar República Democrática da Alemanha (RDA) e nela ocorreu a implantação do governo comunista. Na parte Oeste (Ocidental) localizava-se a República Federal da Alemanha (RFA), de governo capitalista, garantida por EUA, França e Inglaterra, esse era o maior território e a região mais desenvolvida da Alemanha desde antes da guerra.
·         Com a intenção soviética em implantar o socialismo no chamado Terceiro mundo, os EUA não hesitaram em apoiar golpes militares contra governos de esquerda e ditaduras militares.

Doutrina Truman – 1947

O presidente dos EUA estabeleceu que qualquer área do planeta era de interesse estadunidense. Em tempos de Guerra Fria, qualquer governo nacionalista que ameaçasse os interesses das empresas ianques (e não exatamente do povo estadunidense) era visto como inimigo.
·         “Onde houvesse um governo que contrariasse os interesses estadunidenses, os americanos não conversariam, mandariam tropas para derrubá-lo”.
Quando os EUA resolveu substituir a Inglaterra como “cão de guarda” anticomunista na Grécia e na Turquia esta realidade ficou clara. Os comunistas gregos eram muitos numerosos e contavam com forte apoio popular. Quase tomaram o poder. Os EUA enviaram ajuda econômica e militar para o odiado Rei Paulo, dessa forma milhares de esquerdistas foram fuzilados por milícias do governo. A estrada que garantia o capitalismo era pavimentada de cadáveres.

O Plano Marshall

Enquanto a Europa estava arrasada por conta da guerra, no território estadunidense não caiu nenhum chumbinho, fazendo com que as empresas estadunidenses crescessem de modo fantástico. A URSS foi um dos países que mais sofreram danos em seu território.
As dificuldades da Europa Ocidental poderiam estimular o crescimento político dos comunistas. Nas eleições parlamentares francesas e italianas, os comunistas foram os mais votados, vendo isso os EUA resolveram apoiar a reconstrução econômica europeia, assim surge o Plano Marshall (uma ajuda de bilhões de dólares para diversos países do ocidente europeu), e claro que as indústrias estadunidenses aproveitaram para investir capital e fazer da Europa um bom negócio capitalista.
Esta ajuda foi oferecida ao Leste europeu, mas obvio que a URSS disse não. Agora como os soviéticos conseguiram continuar com o controle do Leste se eles não podiam dar grande ajuda aos seus aliados?
Tiveram que aumentar o controle político sobre o Leste europeu, assim foi criado em 1947 o Kominform (Comitê de Informação dos Partidos Comunistas Operários), um organismo para que os comunistas da Europa Oriental “trocassem experiências e informações”. Só que na prática o Kominform só serviu para que Moscou impusesse sua visão política sobre os outros partidos comunistas.
O Plano Marshall deu certo, em pouco tempo a Europa Ocidental recuperava sua economia. Por que será que o Terceiro Mundo nunca recebeu uma ajuda dos EUA desse nível?

Conferência de Potsdam

Dividiu a Alemanha em quatro zonas de influência controladas por EUA, França, Inglaterra e URSS.
OTAN (1949) - Aliança militar ocidental reunia: EUA, Canadá, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Islândia, Itália e Portugal, pouco tempo depois recebeu a adesão da Alemanha Ocidental (RFA), da Grécia e da Turquia.
Objetivo: união das forças militares contra o comunismo e ficar de olho na Europa socialista: se os países do leste europeu permitissem, os tanques da OTAN poderiam ajudar a restaurar o capitalismo.
Pacto de Varsóvia (1955) – uma resposta a OTAN. Reunia os países da Europa Oriental liderados pela URSS. A Iugoslávia recusou-se a participar, por estar rompida com a URSS.
Objetivo: disciplinar o Leste europeu sempre que algum governo tentasse se afastar da influência soviética. Foi assim, por exemplo, na Hungria (1956) e na Tchecoslováquia (1968) ocupadas pelas tropas do Pacto.

Berlim: do bloqueio ao muro
RFA – Ocidental versus RDA – Oriental

A antiga Capital ficou em uma situação delicada, ela se localizava no meio da RDA. Enquanto Berlim Ocidental se tornava uma vitrine do capitalismo, a Berlim Oriental sem poder contar com a ajuda da URSS demorava a se reerguer. 
·                   Berlim Ocidental era uma ilha capitalista cercada por um comunismo em construção. Não havia propaganda melhor do capitalismo.
  Quando foi anunciado que a Alemanha Ocidental teria uma nova moeda, ficou evidente que o velho marco oriental se tornaria um lixo. Stálin não vacilou. Em 1948 mandou fechar todas as estradas que ligavam a Alemanha Ocidental a Berlim. Ele acreditava que os capitalistas entregariam sua parte ocidental aos comunistas, foi agressivo, brutal e avaliou errado.
 Os EUA estacionaram na Inglaterra aviões recheados de “hambúrguer radioativo” (bombas atômicas) para a URSS. Moscou a qualquer momento poderia ser “varrida do mapa” (a URSS só teria “bombinhas” como essa no ano seguinte).
 Uma sensacional ponte aérea ligou Berlim ao Ocidente. Os soviéticos não tinham forças para impedir, recuaram e um discreto acordo diplomático restaurou as comunicações terrestres.
 Berlim Ocidental se tornou um “espinho no pé” do socialismo, era um ninho de espiões ocidentais, para piorar as coisas milhares de pessoas atravessavam a rua para morar na Berlim Ocidental e mais tarde na Alemanha Ocidental, todos sonhando com a sociedade de consumo. Uma gigantesca ferida no flanco socialista. Ferida que não parava de sangrar.
 Em 13 de agosto de 1961 foi construído o muro de Berlim (a cortina de ferro), qualquer cidadão que tentasse fugir seria fuzilado. Para os ocidentais era o muro da vergonha. Para a URSS era a única saída contra a infiltração ocidental. A proibição comunista e a repressão Stalinista serviram para que o sonho de uma sociedade burguesa se concretizasse.
·                    O socialismo de arame farpado poderia dar certo?
·                   Se Stálin deixasse a porta aberta, ficaria alguém para apagar a luz?
·                  Construir o socialismo era bem mais complicado do que tinha imaginado Karl Marx?

Regras de Convivência: Ialta

Na verdade durante a Guerra Fria cada um dos lados procurou manter a hegemonia no seu bloco e aceitar relutante, a hegemonia do inimigo no outro bloco.
Grécia – um exemplo claro: neste país os comunistas tinham sido os grandes combatentes dos invasores nazistas e por isso ganharam enorme apoio popular. Se houvesse eleições livres teriam ganhado facilmente. Porém a Inglaterra e os EUA intervieram a favor da burguesia e apoiaram o rei Paulo. Houve um banho de sangue e os comunistas foram dizimados. O que fez a URSS? Protestou de longe publicando artigos em um jornal local de Moscou denunciando os “crimes do imperialismo”, não passando disso, afinal aquela era uma área do capitalismo.
Logo após a Segunda Guerra, os Partidos Comunistas da Itália e da França foram os mais votados em seus países. Parecia que a revolução estava próxima. Porém Stálin dava ordens para que o Partido Comunista desses países fizessem acordos com a burguesia. Stálin não queria criar problemas no campo ocidental, ainda muito submissos a URSS esses Partidos Comunistas cumpriram as determinações apoiando os governos de reconstrução nacional e foram empurrados para fora da vida política desses países.
            Por outro lado, quando a URSS impôs governo de partidos comunistas na Europa Oriental, os EUA protestaram, mas não passaram disso, afinal estava respeitando o acordo implícito entre as duas potências em fevereiro de 1945.
Nessa conferência, Roosevelt, presidente dos EUA, Churchill, primeiro ministro inglês, e Stálin, dirigente soviético, decidiram o futuro da Europa e do mundo.
EUA e Inglaterra aceitaram a anexação das Repúblicas Bálticas (Letônia, Lituânia e Estônia) além da Ucrânia e de um pedaço da Polônia pela URSS que em troca não estimularia revoluções na Europa Ocidental.
Mas é obvio que as potências procuravam apoio pelo mundo. Enquanto os soviéticos apoiavam movimentos nacionalistas no Terceiro Mundo, os EUA querendo conter o avanço comunista apoiava toda espécie de ditadura que esmagasse reformas que prejudicassem as empresas multinacionais estadunidenses.
Todavia, é preciso ter em mente que EUA e URSS não tinham total controle sobre suas áreas de atuação. A Europa Ocidental foi recuperando suas economias e se tornando autônoma. A França, por exemplo, contestava os EUA em diversos pontos. O bloco socialista teve o rompimento da Iugoslávia em 1948, e no começo dos anos 1960 foi à vez da China brigar com os soviéticos. No Terceiro Mundo muitos países começaram a defender a neutralidade.
   Período marcado por acirradas disputas de poder entre EUA e a ex-URSS, que buscavam reunir sobre suas influências o maior número possível de nações. Então esses países financiaram diversos conflitos entre nações como forma de cooptar um maior número de nações.

O colapso do socialismo e o fim da Guerra Fria

O socialismo implantado na antiga URSS durante a Guerra Fria não havia refletido fielmente os princípios da teoria marxista, devido ao estabelecimento de partido único e o excessivo controle autoritário sobre todos os segmentos da vida social, onde a liberdade de pensamento e expressão eram vetadas. Com a centralização do poder, os altos funcionários do governo passaram a usufruir de privilégios que não estavam ao alcance da classe trabalhadora, gerando um pesado ônus para toda a sociedade soviética.
Uma grave crise econômica agravou a situação do país, também devido o elevado gasto militar na corrida armamentista, o que a deixou defasada no campo produtivo industrial frente às economias capitalistas.
Todos esses acontecimentos geraram insatisfação entre os soviéticos e outras nações socialistas, situação esta que mudou o mapa da Europa e do mundo com a abertura política e econômica dessas nações.
O muro de Berlim – a separação, o impedimento e a proibição no que se diz respeito a aspectos político-territoriais. Foi o grande ícone do mundo bipolar e um dos grandes marcos do fim da Guerra Fria. Sua demolição em 1989 significou uma nova regionalização mundial.

Chegava ao fim a regionalização leste oeste, que retratava três mundos para a regionalização atual norte sul.

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