Guerra
Fria
Com
a existência de um mundo descolonizado após a II Guerra Mundial, a Guerra Fria
regionalizou o mundo em três mundos:
·
Primeiro
Mundo: conjunto dos países capitalistas industrializados com
economia mais desenvolvida.
·
Segundo
Mundo: conjunto dos países socialistas com economia estatal e
planificada.
·
Terceiro
Mundo: conjunto dos países capitalistas economicamente menos
desenvolvidos.
Fim
da Segunda Guerra Mundial: EUA e URSS eram aliados na luta contra o Nazismo.
Porém
essa fraternidade duraria pouco. Agora havia duas superpotências rivais, os
dois países tinham:
·
A maior produção econômica;
·
A maior força militar do planeta;
·
E procuravam influenciar o resto do planeta
com suas ideologias (CIA central de inteligência dos EUA versus KGB serviço secreto da URSS). Os dois países nunca se
enfrentaram diretamente, mas apoiavam muitos conflitos em outras nações, como:
o
Guerra da Coreia (1950 – 1953) - Durante
a Segunda Guerra, a Coreia foi ocupada por tropas soviéticas e estadunidenses,
combatiam os invasores japoneses. Em 1945 EUA e URSS dividiram a Coréia em duas
zonas de influência através do Paralelo 38º firmado como marco divisor na
Conferência de Potsdam, com o sul ocupado pelos norte-americanos e o norte
dominado pela União Soviética. Apesar de tentativas da ONU de reunificar o país
por
meio de eleições gerais supervisionadas, não houve êxito, pois os soviéticos alegaram manipulações
eleitorais se recusando a aceitar as eleições. Em 1948, a zona soviética anuncia sua independência como
República Democrática Popular da Coréia, mais conhecida como Coréia do Norte. A
partir de então, a região foi dividida em dois países diferentes - o norte
socialista, apoiado pelos soviéticos; e o sul, reconhecido e patrocinado pelos
EUA. Em 1950, a Coreia do Norte que como tantos comunistas eram mais
nacionalistas autoritários do que socialistas democráticos invadiu a Corei do
Sul com o apoio de dois gigantes socialistas, a China Popular e a URSS, alegando uma suposta transgressão do
Paralelo 38º. A ONU não aceita esse ataque e manda suas tropas (EUA e mais
quinze países da OTAN) para expulsar os socialistas, que pretendem unificar o
país sob a bandeira do Comunismo. A URSS não intervém diretamente, apenas cede
auxílio militar. Chineses e estadunidenses se confrontaram fazendo com
que a situação ficasse num impasse. Assim a partir do paralelo de 38 graus, em
1953 surgem dois países, dois mundos e uma única humanidade. Inicia-se o confronto entre as duas
potências por um espaço de amplas vantagens comerciais e territoriais, mesmo
com o risco de deflagrar uma terceira guerra mundial.
o
Vietnã (1960 – 1973) – Esse
país conquistou oficialmente sua independência da França em 1945, formando dois
países, o Vietnã do Sul, uma ditadura militar apoiada pelos EUA e o Vietnã do
Norte, uma republica socialista. Em 1960 os vietnamitas do sul criaram uma
frente com o propósito de unificar os dois países, criou-se uma guerra onde os
EUA interviu, a partir daí a guerra deixou de ser vietnamita e passou a se
caracterizar em uma guerra entre os EUA e o Vietnã do Norte, os quais não foram
derrotados, os EUA desgastados aceitou o acordo de Paris em 1973 retirando suas
tropas de combate.
o Afeganistão
(1979 – 1988) – Ao longo de sua história, esses
país foi alvo de diversos conflitos que o colocaram em uma situação desoladora,
devido sua localização privilegiada, entre Oriente Médio, Índia e o restante da
Ásia Central. Alvo da expansão do mundo árabe, no século VII, a região se tornaria
um verdadeiro caldeirão de crenças, colocando budistas, hindus e muçulmanos em
um mesmo território. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo passou a se
aproximar do governo soviético buscando o estabelecimento de acordos econômicos
e ajuda militar. Após dez anos esse governo sofreu um golpe militar. No ano de 1973, permitiu mudanças alinhadas às
diretrizes do socialismo soviético. Contudo, em 1978, um movimento golpista de
cunho democrático tomou o poder. Com o novo incidente político, os soviéticos
decidiram intervir na questão afegã ao exigir a deposição do novo presidente.
O governo russo decide enviar um exército bem preparado que deveria varrer todos aqueles que se opusessem ao antigo regime. Enquanto isso, os mujahedins, grupo de guerrilheiros afegãos contrários à intervenção russa – lutavam contra as tropas soviéticas. Em pouco tempo, tal resistência passou a contar com o apoio financeiro e bélico de nações como China, Estados Unidos, Irã, Paquistão e Arábia Saudita.
O governo russo decide enviar um exército bem preparado que deveria varrer todos aqueles que se opusessem ao antigo regime. Enquanto isso, os mujahedins, grupo de guerrilheiros afegãos contrários à intervenção russa – lutavam contra as tropas soviéticas. Em pouco tempo, tal resistência passou a contar com o apoio financeiro e bélico de nações como China, Estados Unidos, Irã, Paquistão e Arábia Saudita.
o Crise
dos Mísseis (1962) - Em 1961 os
Estados Unidos instalaram mísseis nucleares na Turquia,
a atitude desagradou os soviéticos. A existência de uma base nuclear em tal
região causava preocupação aos soviéticos pela possibilidade de um ataque,
através de uma posição muito privilegiada. No dia 14 de
outubro de 1962, os Estados Unidos divulgaram fotos, coletadas através de um
voo secreto sobre Cuba, que apresentavam instalações preparadas para abrigar
mísseis nucleares soviéticos. Após um delicado
período de negociações, os russos conseguiram secretamente fazer com que os
Estados Unidos retirassem seus mísseis da Turquia, tendo em contrapartida a
retirada dos mísseis soviéticos de Cuba, levando em 1963, à assinatura de um
acordo firmado entre Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha proibindo os testes nucleares. Alguns
anos mais tarde, em 1968, a medida foi ampliada e 60 países o Tratado de não proliferação de armas
nucleares.
o
Confronto entre Israel e os países árabes.
Os
EUA liderava o bloco capitalista e a URSS liderava o bloco socialista, que
agora englobava a Europa Oriental, e desde 1949 a China Popular.
Consequências
geradas pela Segunda Guerra Mundial:
·
Aparecimento de novos países socialistas na
Europa Oriental. Quando o exército vermelho avançou em direção a Berlim, teve
que atravessar os países do Leste Europeu, expulsando os nazistas que tinham
invadido esses países. Dessa forma surgiram novos países socialistas.
Tchecoslováquia, Romênia, Hungria, Bulgária e Polônia, assim nesses países o
socialismo não ocorreu através de uma revolução popular, mas por imposição de
uma potência estrangeira. E esse socialismo imposto era o autoritário
stalinismo.
·
A Iugoslávia e a Albânia também se tornaram
socialistas, mas praticamente, não precisaram da
ajuda soviética para expulsar os nazistas, motivo esse que fez com que tivessem
relativa autonomia em relação a Moscou.
·
A Alemanha ficou dividida em duas, o Leste
(Oriental) passou a se chamar República Democrática da Alemanha (RDA) e nela ocorreu
a implantação do governo comunista. Na parte Oeste (Ocidental) localizava-se a
República Federal da Alemanha (RFA), de governo capitalista, garantida por EUA,
França e Inglaterra, esse era o maior território e a região mais desenvolvida
da Alemanha desde antes da guerra.
·
Com a intenção soviética em implantar o
socialismo no chamado Terceiro mundo, os EUA não hesitaram em apoiar golpes
militares contra governos de esquerda e ditaduras militares.
Doutrina
Truman – 1947
O
presidente dos EUA estabeleceu que qualquer área do planeta era de interesse
estadunidense. Em tempos de Guerra Fria, qualquer governo nacionalista que
ameaçasse os interesses das empresas ianques (e não exatamente do povo
estadunidense) era visto como inimigo.
·
“Onde houvesse um governo que contrariasse os
interesses estadunidenses, os americanos não conversariam, mandariam tropas
para derrubá-lo”.
Quando
os EUA resolveu substituir a Inglaterra como “cão de guarda” anticomunista na
Grécia e na Turquia esta realidade ficou clara. Os comunistas gregos eram
muitos numerosos e contavam com forte apoio popular. Quase tomaram o poder. Os
EUA enviaram ajuda econômica e militar para o odiado Rei Paulo, dessa forma
milhares de esquerdistas foram fuzilados por milícias do governo. A estrada que
garantia o capitalismo era pavimentada de cadáveres.
O
Plano Marshall
Enquanto
a Europa estava arrasada por conta da guerra, no território estadunidense não
caiu nenhum chumbinho, fazendo com que as empresas estadunidenses crescessem de
modo fantástico. A URSS foi um dos países que mais sofreram danos em seu
território.
As
dificuldades da Europa Ocidental poderiam estimular o crescimento político dos
comunistas. Nas eleições parlamentares francesas e italianas, os comunistas
foram os mais votados, vendo isso os EUA resolveram apoiar a reconstrução
econômica europeia, assim surge o Plano Marshall (uma ajuda de bilhões de
dólares para diversos países do ocidente europeu), e claro que as indústrias
estadunidenses aproveitaram para investir capital e fazer da Europa um bom
negócio capitalista.
Esta
ajuda foi oferecida ao Leste europeu, mas obvio que a URSS disse não. Agora
como os soviéticos conseguiram continuar com o controle do Leste se eles não
podiam dar grande ajuda aos seus aliados?
Tiveram
que aumentar o controle político sobre o Leste europeu, assim foi criado em
1947 o Kominform (Comitê de Informação dos Partidos Comunistas Operários), um
organismo para que os comunistas da Europa Oriental “trocassem experiências e
informações”. Só que na prática o Kominform só serviu para que Moscou impusesse
sua visão política sobre os outros partidos comunistas.
O Plano Marshall deu certo,
em pouco tempo a Europa Ocidental recuperava sua economia. Por que será que o
Terceiro Mundo nunca recebeu uma ajuda dos EUA desse nível?
Conferência
de Potsdam
Dividiu
a Alemanha em quatro zonas de influência controladas por EUA, França,
Inglaterra e URSS.
OTAN
(1949) - Aliança militar ocidental reunia: EUA, Canadá, Reino
Unido, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Islândia,
Itália e Portugal, pouco tempo depois recebeu a adesão da Alemanha Ocidental
(RFA), da Grécia e da Turquia.
Objetivo: união das forças
militares contra o comunismo e ficar de olho na Europa socialista: se os países
do leste europeu permitissem, os tanques da OTAN poderiam ajudar a restaurar o
capitalismo.
Pacto
de Varsóvia (1955) – uma resposta a OTAN. Reunia os países da
Europa Oriental liderados pela URSS. A Iugoslávia recusou-se a participar, por
estar rompida com a URSS.
Objetivo: disciplinar o
Leste europeu sempre que algum governo tentasse se afastar da influência
soviética. Foi assim, por exemplo, na Hungria (1956) e na Tchecoslováquia
(1968) ocupadas pelas tropas do Pacto.
Berlim:
do bloqueio ao muro
RFA
– Ocidental versus RDA – Oriental
A antiga Capital ficou em uma situação
delicada, ela se localizava no meio da RDA. Enquanto Berlim Ocidental se
tornava uma vitrine do capitalismo, a Berlim Oriental sem poder contar com a
ajuda da URSS demorava a se reerguer.
· Berlim Ocidental era uma ilha capitalista
cercada por um comunismo em construção. Não havia propaganda melhor do
capitalismo.
Quando
foi anunciado que a Alemanha Ocidental teria uma nova moeda, ficou evidente que
o velho marco oriental se tornaria um lixo. Stálin não vacilou. Em 1948 mandou
fechar todas as estradas que ligavam a Alemanha Ocidental a Berlim. Ele
acreditava que os capitalistas entregariam sua parte ocidental aos comunistas,
foi agressivo, brutal e avaliou errado.
Os EUA
estacionaram na Inglaterra aviões recheados de “hambúrguer radioativo” (bombas
atômicas) para a URSS. Moscou a qualquer momento poderia ser “varrida do mapa”
(a URSS só teria “bombinhas” como essa no ano seguinte).
Uma
sensacional ponte aérea ligou Berlim ao Ocidente. Os soviéticos não tinham
forças para impedir, recuaram e um discreto acordo diplomático restaurou as
comunicações terrestres.
Berlim
Ocidental se tornou um “espinho no pé” do socialismo, era um ninho de espiões
ocidentais, para piorar as coisas milhares de pessoas atravessavam a rua para
morar na Berlim Ocidental e mais tarde na Alemanha Ocidental, todos sonhando
com a sociedade de consumo. Uma gigantesca ferida no flanco socialista. Ferida
que não parava de sangrar.
Em
13 de agosto de 1961 foi construído o muro de Berlim (a cortina de ferro),
qualquer cidadão que tentasse fugir seria fuzilado. Para os ocidentais era o
muro da vergonha. Para a URSS era a única saída contra a infiltração ocidental.
A proibição comunista e a repressão Stalinista serviram para que o sonho de uma
sociedade burguesa se concretizasse.
· O socialismo de arame farpado poderia dar
certo?
· Se Stálin deixasse a porta aberta, ficaria
alguém para apagar a luz?
· Construir o socialismo era bem mais
complicado do que tinha imaginado Karl Marx?
Regras
de Convivência: Ialta
Na
verdade durante a Guerra Fria cada um dos lados procurou manter a hegemonia no
seu bloco e aceitar relutante, a hegemonia do inimigo no outro bloco.
Grécia
– um exemplo claro: neste país os comunistas tinham sido os grandes combatentes
dos invasores nazistas e por isso ganharam enorme apoio popular. Se houvesse
eleições livres teriam ganhado facilmente. Porém a Inglaterra e os EUA
intervieram a favor da burguesia e apoiaram o rei Paulo. Houve um banho de
sangue e os comunistas foram dizimados. O que fez a URSS? Protestou de longe
publicando artigos em um jornal local de Moscou denunciando os “crimes do
imperialismo”, não passando disso, afinal aquela era uma área do capitalismo.
Logo
após a Segunda Guerra, os Partidos Comunistas da Itália e da França foram os
mais votados em seus países. Parecia que a revolução estava próxima. Porém
Stálin dava ordens para que o Partido Comunista desses países fizessem acordos
com a burguesia. Stálin não queria criar problemas no campo ocidental, ainda
muito submissos a URSS esses Partidos Comunistas cumpriram as determinações
apoiando os governos de reconstrução nacional e foram empurrados para fora da
vida política desses países.
Por outro lado, quando a URSS impôs governo de partidos
comunistas na Europa Oriental, os EUA protestaram, mas não passaram disso,
afinal estava respeitando o acordo implícito entre as duas potências em
fevereiro de 1945.
Nessa
conferência, Roosevelt, presidente dos EUA, Churchill, primeiro ministro
inglês, e Stálin, dirigente soviético, decidiram o futuro da Europa e do mundo.
EUA
e Inglaterra aceitaram a anexação das Repúblicas Bálticas (Letônia, Lituânia e
Estônia) além da Ucrânia e de um pedaço da Polônia pela URSS que em troca não
estimularia revoluções na Europa Ocidental.
Mas
é obvio que as potências procuravam apoio pelo mundo. Enquanto os soviéticos
apoiavam movimentos nacionalistas no Terceiro Mundo, os EUA querendo conter o
avanço comunista apoiava toda espécie de ditadura que esmagasse reformas que
prejudicassem as empresas multinacionais estadunidenses.
Todavia,
é preciso ter em mente que EUA e URSS não tinham total controle sobre suas
áreas de atuação. A Europa Ocidental foi recuperando suas economias e se
tornando autônoma. A França, por exemplo, contestava os EUA em diversos pontos.
O bloco socialista teve o rompimento da Iugoslávia em 1948, e no começo dos
anos 1960 foi à vez da China brigar com os soviéticos. No Terceiro Mundo muitos
países começaram a defender a neutralidade.
Período marcado por acirradas disputas de poder entre EUA
e a ex-URSS, que buscavam reunir sobre suas influências o maior número possível
de nações. Então esses países financiaram diversos conflitos entre nações como
forma de cooptar um maior número de nações.
O
colapso do socialismo e o fim da Guerra Fria
O
socialismo implantado na antiga URSS durante a Guerra Fria não havia refletido
fielmente os princípios da teoria marxista, devido ao estabelecimento de
partido único e o excessivo controle autoritário sobre todos os segmentos da
vida social, onde a liberdade de pensamento e expressão eram vetadas. Com a
centralização do poder, os altos funcionários do governo passaram a usufruir de
privilégios que não estavam ao alcance da classe trabalhadora, gerando um
pesado ônus para toda a sociedade soviética.
Uma
grave crise econômica agravou a situação do país, também devido o elevado gasto
militar na corrida armamentista, o que a deixou defasada no campo produtivo
industrial frente às economias capitalistas.
Todos
esses acontecimentos geraram insatisfação entre os soviéticos e outras nações
socialistas, situação esta que mudou o mapa da Europa e do mundo com a abertura
política e econômica dessas nações.
O
muro de Berlim – a separação, o impedimento e a proibição no que se diz
respeito a aspectos político-territoriais. Foi o grande ícone do mundo bipolar
e um dos grandes marcos do fim da Guerra Fria. Sua demolição em 1989 significou
uma nova regionalização mundial.
Chegava
ao fim a regionalização leste oeste, que retratava três mundos para a
regionalização atual norte sul.
Nenhum comentário:
Postar um comentário